O setor de minerais críticos no Brasil está se aproveitando da neutralidade diplomática do país para buscar parcerias internacionais. Frederico Bedran, diretor-presidente da Associação de Minerais Críticos (AMC), afirmou em entrevista ao Poder360 que as empresas brasileiras estão dispostas a cooperar com qualquer nação, incluindo os Estados Unidos, a China e países europeus.

Bedran destacou que a diplomacia neutra do Brasil permite que o empresariado busque investimentos de diversas origens. "O Brasil se coloca historicamente aberto a qualquer país. O empresariado vê isso de forma muito positiva", afirmou o executivo, que representa 33 empresas mineradoras e fornecedoras do setor, das quais 80% possuem capital estrangeiro.

Com 25% das reservas mundiais de minerais críticos, o Brasil tem atraído a atenção de potências como EUA e União Europeia, que buscam alternativas para reduzir a dependência da China, que atualmente controla uma parte significativa da cadeia global desses materiais. Nos últimos meses, o governo chinês implementou restrições ao fornecimento de terras raras e derivados para os EUA e Europa, aumentando as preocupações sobre a segurança do abastecimento, o que pode ter um impacto de US$ 6,5 trilhões na indústria ocidental, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

"Essa preocupação do Ocidente em relação a um eventual choque de comércio pela restrição da China abre uma janela interessante para nós", declarou Bedran.

Dependência de capital externo

Bedran também enfatizou que o setor de mineração brasileiro ainda depende fortemente de investimentos internacionais. Ele observou que o mercado financeiro local é avesso a financiar o setor, especialmente devido aos riscos associados e ao longo prazo para retorno financeiro. "Infelizmente, o ecossistema financeiro nacional ainda não tem um olhar para esse capital de risco. Esse capital internacional é fundamental para o desenvolvimento da atividade de minerais críticos no Brasil", explicou.

Impacto das tarifas comerciais

O diretor da AMC acredita que as novas tarifas que têm causado tensões nas relações comerciais entre Brasil e EUA não devem interferir nas negociações de investimentos norte-americanos em projetos de mineração no país. O governo dos EUA já manifestou interesse nos minerais críticos brasileiros e tem feito sinalizações positivas ao setor.

Bedran elogiou a postura do governo brasileiro em manter uma diplomacia neutra, mesmo diante das novas tarifas. "O governo vem se posicionando de forma muito sábia. Temos boas opções por conta do avanço do interesse do Ocidente, o que pode nos permitir desenvolver alguns desses projetos. Precisamos saber aproveitar esse cenário", concluiu.