O Brasil firmou-se como líder mundial na produção e exportação de proteína animal, registrando um crescimento médio anual superior a 10% na última década. Atualmente, o país fornece carne bovina, suína e de aves para mais de 150 países.
Embora o comércio exterior pareça seguir a lógica de oferta e demanda, o sucesso do Brasil é influenciado por fatores mais complexos. Além da capacidade produtiva e das rigorosas normas sanitárias, a sustentabilidade tornou-se um diferencial competitivo essencial, com foco na redução das emissões de carbono.
Desafios e barreiras no comércio internacional
O cenário de exportação enfrenta desafios que vão além dos aspectos técnicos e de manejo, incluindo questões geopolíticas e econômicas. Medidas recentes, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos, as restrições da União Europeia e as cotas da China para a importação de carne bovina, revelam um aumento nas barreiras protecionistas, frequentemente justificadas por argumentos comerciais ou sanitários questionáveis.
Nesse contexto, a segurança sanitária deve ser considerada um pré-requisito absoluto, com protocolos de controle reconhecidos internacionalmente. Em contrapartida, as barreiras econômicas variam conforme conveniências políticas, exigindo acordos bilaterais ou multilaterais.
O papel da ciência e inovação no setor
Com um mercado global em constante evolução, a sustentabilidade do setor exige uma colaboração estratégica entre as esferas pública e privada. A combinação de diplomacia corporativa e desenvolvimento tecnológico é fundamental.
A competitividade não se limita à capacidade de entrega, mas abrange a excelência e a governança em todos os níveis da cadeia produtiva, desde a produção até o consumidor final. O setor de proteína animal opera sob um novo conjunto de exigências que impacta um mercado bilionário, envolvendo milhares de produtores e consumidores.
Para se proteger contra a volatilidade do mercado, o setor deve se apoiar em ciência e dados consistentes. Pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) tornaram-se essenciais para garantir a segurança alimentar e fortalecer o Produto Interno Bruto (PIB), além de gerar empregos e atrair investimentos.
O Brasil está iniciando uma nova fase como principal operador global no segmento, preparado para atender à crescente demanda por proteína animal, com foco em conformidade técnica e segurança alimentar sustentável. Essa transformação é evidenciada pelos resultados da última década, onde o país se tornou o maior exportador mundial de carne de frango e bovina e o segundo maior de carne suína, atrás apenas dos Estados Unidos. Entre 2015 e 2025, as exportações de frango cresceram 25%, de suínos 180% e de carne bovina 188%.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras devem alcançar ou ultrapassar 10 milhões de toneladas em 2026.
O futuro do abastecimento global de proteína animal está nas mãos do Brasil, que precisa manter vigilância e prontidão estratégica frente às transformações do mercado internacional.
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