Com a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está debatendo possíveis respostas. O anúncio da medida americana foi feito no dia 16 de outubro e, desde então, o Palácio do Planalto classificou a ação como um "marco lastimável".

A Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula em 2025, permite ao Brasil retaliar países que impõem barreiras comerciais. Contudo, até o momento, o governo não apresentou ações concretas baseadas nessa legislação.

Possíveis consequências da tarifa

A tarifa de 25% começará a valer na próxima quarta-feira (22). Embora alguns produtos, como petróleo e carne bovina, estejam isentos, setores como etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados. Especialistas indicam que o governo deve agir com cautela, evitando uma resposta precipitada que possa agravar a situação.

Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior, explica que a aplicação da Lei da Reciprocidade envolve um processo complexo, que inclui análises detalhadas e consultas públicas, o que torna a resposta imediata inviável. Além disso, há preocupações sobre o impacto que a sobretaxa poderia ter sobre os preços para os consumidores brasileiros.

Riscos de retaliação e alternativas

Os riscos de uma retaliação incluem o aumento dos custos de importação para o Brasil, que seriam repassados aos consumidores finais, resultando em um impacto econômico negativo. Jackson Campos, especialista em comércio exterior, alerta que o Brasil poderia sofrer duplamente: com as tarifas sobre suas exportações e com o aumento nos preços de produtos importados.

Além das tarifas, a Lei da Reciprocidade permite outras respostas, como suspender regras de propriedade intelectual, impor restrições sobre serviços e rever acordos comerciais. Campos destaca que qualquer medida deve ser proporcional ao dano causado e buscar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira.

Outro fator a ser considerado é a possibilidade de uma escalada nas tensões entre os dois países. Uma resposta brasileira pode desencadear novas tarifas dos EUA, como ocorreu na guerra comercial entre China e EUA, onde as tarifas chegaram a ultrapassar 100%.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, sugere que o Brasil deve ser cauteloso e evitar uma retaliação que prejudique sua própria economia. Ele enfatiza que grande parte das importações brasileiras dos EUA são insumos essenciais para a produção nacional.

Enquanto isso, o governo brasileiro se prepara para as eleições, que também influenciam as negociações, tanto no Brasil quanto nos EUA. Em resposta à nova tarifa, a ApexBrasil está desenvolvendo um programa de diversificação de mercados para apoiar setores impactados.