O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre quase 3 mil produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A decisão resulta de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais, que foi iniciada durante a administração Trump. O relatório criticou a atuação do Brasil nas negociações comerciais com os EUA.

Impacto das novas tarifas

Entre os produtos afetados estão etanol, máquinas agrícolas, açúcar, papel, produtos químicos, manufaturados, calçados e vestuário. Por outro lado, mais de 2 mil itens ficaram isentos das novas tarifas, incluindo os principais produtos exportados pelo Brasil, como café, carne bovina e suco de laranja, que representam quase metade do valor das exportações brasileiras para os EUA. Também foram isentos gasolina, aeronaves civis e medicamentos, sob a justificativa de que a falta desses produtos poderia causar desabastecimento nos Estados Unidos.

Além disso, itens como aço e alumínio, que já estão sujeitos a tarifas desde junho de 2025, continuarão com a taxa de 50%. A balança comercial entre Brasil e Estados Unidos é desfavorável ao Brasil, que registrou um déficit de US$ 7,5 bilhões em 2025, com exportações totalizando US$ 37,7 bilhões e importações de US$ 45,1 bilhões.

Motivos da investigação e respostas do Brasil

A investigação que levou à imposição das tarifas abrangeu seis pontos, incluindo comércio digital, tarifas preferenciais a outros países, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O representante do Comércio dos EUA afirmou que as práticas de desmatamento dificultam a concorrência justa da indústria madeireira americana e destacou a extração ilegal de madeira na Amazônia.

Em relação ao comércio digital, a acusação se refere a ordens do STF que teriam levado à remoção de conteúdos de empresas de tecnologia dos EUA. O governo americano também criticou o Brasil por oferecer tratamento preferencial a países como México e Índia em detrimento das exportações americanas.

O Brasil, por sua vez, defendeu o PIX como uma infraestrutura pública e não discriminatória, e negou as acusações de que favorece prestadores de serviços nacionais em detrimento de serviços estrangeiros. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, comentou que a decisão reflete a falta de negociações de boa fé por parte do governo Lula, afirmando que as políticas econômicas brasileiras prejudicam tanto americanos quanto brasileiros.

A medida ocorre em um contexto de eleições no Brasil, com o TSE supervisionando o processo eleitoral de 2026. A resposta do governo brasileiro inclui críticas à decisão americana, que é vista como uma ação ideológica e politicamente motivada.