Um novo relatório da organização Tech Against Terrorism, apoiada pela diretoria de contraterros da ONU, revela que modelos de linguagem artificial (IA) podem ser utilizados por grupos extremistas, como al-Qaeda, para obter informações úteis sobre como planejar ataques terroristas. A pesquisa, divulgada em julho de 2026, indica que 32% das mais de 2.300 solicitações feitas a 27 modelos de IA resultaram em dados que poderiam ser considerados utilizáveis por potenciais extremistas.

Os pesquisadores notaram que, quando as perguntas eram formuladas para fins de pesquisa, a taxa de respostas úteis aumentava para 42%. Isso levanta preocupações sobre a possibilidade de que grupos terroristas comecem a utilizar essas ferramentas para planejamento e não apenas para propaganda.

A evolução do uso de IA por grupos extremistas

Nos últimos três a quatro anos, a principal aplicação da IA por grupos extremistas, como o Estado Islâmico e al-Qaeda, tem sido a geração de conteúdo de propaganda, incluindo vídeos e desinformação. Entretanto, de acordo com uma análise do Militant Wire, o ano de 2025 foi marcado por um aumento significativo em incidentes onde terroristas utilizaram ferramentas de IA para planejar e preparar ataques.

Ainda que as agências de segurança não divulguem detalhes sobre como a IA foi empregada em ataques, especialistas apontam que registros judiciais e relatórios forenses têm documentado interações em que suspeitos solicitam instruções sobre fabricação de explosivos ou justificativas ideológicas a modelos de linguagem.

A crescente interação entre extremistas e IA

Além de indivíduos, grupos extremistas estão cada vez mais adotando a IA em suas operações. Um estudo sobre o grupo Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin, ativo em Mali, sugere que a organização utilizou IA para modificar drones. Pesquisadores notaram, em uma análise de junho, que apoiadores de grupos extremistas discutem frequentemente o uso de IA em canais de mensagens, como o Telegram, compartilhando estratégias para otimizar suas interações com chatbots.

O diretor do Tech Against Terrorism, Adam Hadley, alertou que a natureza conversacional dos chatbots pode ser alarmante. Enquanto um manual de fabricação de bombas pode ser encontrado facilmente online, ter um “treinador” na forma de um chatbot pode acelerar o acesso a informações perigosas. Embora a IA possa facilitar o acesso a informações, especialistas como Rueben Dass ressaltam que isso não necessariamente tornará os ataques mais bem-sucedidos. O sucesso de um ataque terrorista depende de múltiplos fatores, e o uso de IA pode apenas aumentar a frequência de ataques que envolvem tecnologia.

Hadley também destacou que a radicalização de jovens, especialmente adolescentes, é uma preocupação crescente. Com a internet e as redes sociais já desempenhando um papel significativo nesse processo, é provável que os chatbots se tornem uma parte considerável do problema no futuro.