A Pangeia não fazia a menor ideia da confusão que viria pela frente. Há aproximadamente 250 milhões de anos, quando os continentes ainda estavam reunidos numa gigantesca massa de terra, um asteroide atingiu violentamente a região que, muito tempo depois, seria repartida entre Goiás e Mato Grosso.
Uma estrutura única
A colisão abriu uma estrutura de aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro, deformou rochas profundas e deixou uma sucessão de anéis concêntricos que resistiram a centenas de milhões de anos de transformações geológicas. Hoje, aproximadamente 40% da estrutura estão em Goiás, abrangendo áreas de Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia. Os outros 60% ficam em Mato Grosso, alcançando Araguainha, Ponte Branca e Alto Araguaia.
São cerca de 1.250 quilômetros quadrados, se considerarmos a área de um círculo com 40 quilômetros de diâmetro. Uma superfície maior que a de muitos municípios brasileiros. O suficiente para acomodar uma pequena cidade, algumas propriedades rurais, estradas, rios e uma boa coleção de problemas administrativos.
O impacto foi colossal. Sua notoriedade popular, nem tanto. A estrutura recebeu o nome de Domo de Araguainha porque seu núcleo central está localizado entre os municípios mato-grossenses de Araguainha e Ponte Branca. Mas a denominação não conta toda a história. Uma parcela expressiva da cratera está em território goiano, e o rio Araguaia atravessa a formação, marcando a divisa entre os dois estados. O asteroide não escolheu um lado. A geografia política chegou depois, distribuindo a herança.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.