Embrapa propõe diretrizes para adaptar hortaliças ao El Niño

A Embrapa Hortaliças (DF) lançou diretrizes para tornar a olericultura brasileira mais resiliente aos impactos do El Niño. O trabalho aborda as bases fisiológicas das plantas, as vulnerabilidades produtivas e as estratégias de adaptação para a produção de hortaliças no território nacional.

Diagnóstico meteorológico e impactos fisiológicos

O estudo apresenta um panorama da olericultura nacional, destacando que a maioria das hortaliças consumidas necessita de temperaturas amenas, boa qualidade da água e disponibilidade hídrica, além de não tolerar excesso de chuvas e estresse hídrico. As condições extremas do El Niño, como altas temperaturas e chuvas volumosas, elevam os riscos de salinização do solo e de surtos de pragas.

Em contrapartida, o cenário de chuvas intensas causa encharcamento e excesso hídrico, comprometendo o desenvolvimento das raízes e o ciclo de vida das plantas, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas e bacterianas.

Vulnerabilidade dos grupos de hortaliças

Por causa das distintas exigências térmicas e hídricas das espécies vegetais, o trabalho mapeou as fragilidades específicas dos principais grupos de hortaliças, incluindo solanáceas, folhosas e brássicas, aliáceas, raízes e tubérculos, e cucurbitáceas.

Os solanáceas, por exemplo, apresentam alta sensibilidade a temperaturas elevadas, afetando diretamente o florescimento e a frutificação. As folhosas e brássicas são vulneráveis pela exposição direta ao calor extremo e à escassez de água. As aliáceas têm forte dependência de irrigação regular e alta sensibilidade às variações de temperatura. As raízes e tubérculos dependem diretamente de estabilidade hídrica, enquanto as cucurbitáceas necessitam de disponibilidade uniforme de água.