O Departamento de Estado dos Estados Unidos repudiou as alegações de que a viagem de dois representantes do governo de Donald Trump ao Brasil teria como objetivo interferir nas eleições que ocorrerão em outubro. A declaração, considerada uma 'mentira sem fundamento', foi feita à agência AP após o Itamaraty ter negado os vistos solicitados pelos enviados.
Viagem classificada como rotineira
Os enviados, Riley M. Barnes, secretário assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto, estavam programados para permanecer em Brasília entre 27 e 30 de julho. A agenda previa encontros com autoridades locais, líderes religiosos e outros interlocutores, com foco em temas como 'integridade eleitoral', liberdade religiosa e liberdade de expressão.
O Departamento de Estado destacou que a viagem é parte de um padrão normal de intercâmbio e que qualquer insinuação de uma 'manobra' para minar a eleição de uma nação democrática é infundada. “Qualquer insinuação de uma ‘manobra’ para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento”, afirmaram representantes do órgão.
Recusa dos vistos e suspeitas do governo brasileiro
Na sexta-feira, 24 de julho de 2026, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou os vistos solicitados pelos dois enviados, que haviam sido pedidos em 20 de julho. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não divulgou oficialmente os motivos para a recusa, mas fontes indicam que existia a suspeita de que a missão buscasse levantar questões sobre a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro e estabelecer contato com Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.
Informações não oficiais apontam que representantes da Embaixada dos Estados Unidos demonstraram interesse em se reunir com o senador Flávio Bolsonaro, mas essa reunião não estava prevista nos documentos apresentados ao governo brasileiro. O pedido de vistos foi protocolado um dia antes de Flávio Bolsonaro questionar a segurança das urnas eletrônicas durante um evento com embaixadores em Brasília, onde citou documentos da CIA que alegavam fraudes na Venezuela e mencionou a empresa Smartmatic.
Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) refutou as alegações feitas por Bolsonaro, afirmando que a empresa jamais forneceu urnas ou softwares para o sistema eleitoral brasileiro. Além disso, o TSE informou que a Embaixada dos Estados Unidos havia contatado sua assessoria internacional para organizar uma reunião com os enviados, sem especificar a pauta, mas que o encontro não ocorreu devido ao recesso do Judiciário.
Esse episódio se soma à revogação do visto de Darren Beattie, um aliado de Trump, que tinha declarado que participaria de um fórum sobre minerais críticos, mas também pretendia se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro, um encontro que não foi previamente comunicado ao Itamaraty.
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