O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra o recesso parlamentar, que se inicia neste sábado (18.jul.2026), com um saldo de pelo menos 23 derrotas significativas no Congresso desde o início de seu terceiro mandato. O ambiente legislativo para o restante do ano promete ser ainda mais complicado, especialmente com a proximidade das eleições, que limitará o tempo disponível para votações.
A diminuição do tempo destinado às deliberações parlamentares dificulta a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelo governo, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reduzir a jornada de trabalho semanal para 40 horas e extinguir a escala 6 X 1, uma das principais bandeiras de Lula para o eleitorado.
Desde 2023, o presidente enfrentou reveses em diversas áreas. As derrotas incluem a derrubada de vetos, projetos paralisados por falta de apoio, derrotas em votações, diminuição de influência política e a rejeição de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. As dificuldades enfrentadas pelo governo no Legislativo persistiram ao longo de todo o mandato, mesmo após mudanças nas lideranças do Senado e da Câmara.
Desafios na articulação política
Com Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no Senado, o Planalto vivenciou uma série de reveses em votações, viu vetos serem revogados e teve dificuldades em avançar em projetos considerados essenciais. A transição para novas lideranças, como Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não aliviou as tensões. Em 2026, a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, representou um dos maiores reveses da articulação política do governo e acirrou o desgaste entre o Planalto e o Senado.
A falta de comunicação também se destacou, conforme levantamento do Poder360, que revelou que Lula não se reuniu oficialmente com os presidentes da Câmara e do Senado, nem com líderes do Congresso no primeiro trimestre de 2026. Em contrapartida, no mesmo período de 2025, foram registrados três encontros.
Perspectivas para o futuro
Em virtude das dificuldades para formar uma maioria sólida no Congresso, Lula priorizou a eleição de senadores para 2026, defendendo a necessidade de ampliar a bancada da esquerda no Senado. O presidente enfatizou em vários discursos a importância de conquistar uma maioria alinhada ao governo para facilitar a aprovação de projetos e minimizar os conflitos com o Legislativo.
Apesar dos obstáculos, o governo também conquistou importantes vitórias, como a aprovação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a eleição do primeiro petista, Odair Cunha (PT-MG), para o Tribunal de Contas da União. A reforma tributária aprovada no primeiro ano de governo também foi considerada uma importante conquista, embora tenha sofrido alterações significativas durante sua tramitação.
Após o recesso, que vai de 18 a 31 de julho, uma segunda pausa está prevista para o período de 23 de dezembro a 1º de fevereiro. Assim, o cenário legislativo tende a ser ainda mais desafiador, com a PEC que visa reduzir a jornada de trabalho e outras propostas relevantes esperando para serem discutidas.
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