O dia em que Sam e Courtney Scholey se tornaram marido e mulher não se assemelhou ao que tradicionalmente se espera de um casamento. Sem a caminhada pelo corredor, troca de alianças ou vestido de noiva, o casal realizou uma cerimônia particular dias depois em um lugar na zona rural de Oxfordshire, que sonhavam, mas que não era legalmente reconhecida na Inglaterra e no País de Gales.
Em abril, eles pagaram centenas de libras para formalizar a união em uma biblioteca em Buckingham. "Para nós, aquele dia foi o mais insignificante possível", declarou Courtney à BBC. "Era apenas as palavras que precisávamos dizer para tornar tudo legal." Os Scholeys são parte de um número crescente de casais que acreditam que as rígidas regras sobre casamentos tornam o ato mais estressante, caro e menos significativo.
Propostas de reforma nas leis de casamento
Recentemente, o governo britânico anunciou novas propostas, descritas como a maior reformulação das leis de casamento em 200 anos. Caso sejam aprovadas, os casais na Inglaterra e no País de Gales poderão realizar cerimônias oficiais em uma gama mais ampla de locais não convencionais, como florestas e praias, desde que o local seja aprovado por um officiant registrado.
Nicky Brown, que deseja se casar em um cenário pitoresco no País de Gales, expressou sua satisfação com as propostas. "Eu ficaria bastante feliz em me casar em um campo cheio de ovelhas", afirmou à BBC. Contudo, há quem critique a mudança, alegando que a tradição sagrada do casamento está sendo distorcida.
A evolução das leis de casamento
Atualmente, uma cerimônia de casamento ou parceria civil na Inglaterra ou no País de Gales deve ocorrer em um local aprovado para ser legalmente vinculativa, e muitos locais impõem controle sobre elementos como votos, número de convidados e música. Além disso, existem restrições rigorosas sobre quem pode oficiar um casamento e de que forma.
Um relatório da Law Commission de 2022 concluiu que as leis matrimoniais, que remontam aos séculos 18 e 19, são "complicadas, ineficientes, injustas e desnecessariamente restritivas". David Lammy, então vice-primeiro-ministro, destacou que as leis de casamento não acompanharam as mudanças sociais e culturais que moldaram a Grã-Bretanha moderna.
As propostas ainda estão em consulta pública até setembro, mas visam transformar as regulamentações de um modelo baseado em "prédios" para um modelo baseado em "oficiantes". Enquanto isso, muitos casais, como Carl Jones, expressam frustração com os altos custos associados ao casamento, afirmando que desejam se casar, mas não podem devido às despesas.
Criticos levantam preocupações de que as mudanças possam diluir a importância do casamento, enquanto defensores argumentam que as novas regras podem proporcionar mais opções que refletem a diversidade das relações modernas. A proposta inclui salvaguardas para garantir que cerimônias que possam ser vistas como "gimmicks" não sejam permitidas.
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