A Polícia Federal (PF) está concentrando esforços na análise do material apreendido em 9 de novembro, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de identificar outras pessoas que possam ter colaborado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda no caso Master.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a realização de buscas e apreensões contra Miranda. Na decisão, o ministro destacou a existência de "substanciosos indícios de autoria e materialidade", mas também reconheceu que ainda há "lacunas probatórias relevantes" sobre a extensão dos crimes e a identificação de outros membros da equipe de Miranda.

Investigação e Mobilização do Grupo

Conforme a PF, o grupo investigado foi mobilizado para realizar levantamentos de informações sobre indivíduos considerados adversários da organização criminosa associada a Vorcaro. Os investigadores buscam determinar quem mais esteve envolvido na coleta de dados pessoais, profissionais e financeiros de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

A decisão de Mendonça autoriza as buscas para preencher os pontos que ainda estão indefinidos na investigação. Thiago Miranda é apontado como o principal responsável pelo chamado "Projeto DV", que, segundo os investigadores, foi criado para proteger a reputação de Vorcaro e do Banco Master.

Detalhes do Projeto e Ações de Intimidação

A investigação indica que o Projeto DV envolvia a contratação de influenciadores e jornalistas, com acordos de confidencialidade, para contestar decisões de órgãos públicos e tentar desmerecê-los perante a opinião pública. A PF revela que Vorcaro e Miranda ofereceram até R$ 2 milhões a influenciadores para que se unissem à estratégia, que incluía cláusulas de confidencialidade em troca da publicação de conteúdos favoráveis ao Master e críticos ao Banco Central.

Um dos casos mencionados pela PF envolve a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Os investigadores descobriram que Vorcaro e Miranda discutiam estratégias para lidar com reportagens de Gaspar relacionadas ao caso Master, realizando levantamentos de informações pessoais e profissionais sobre ela, com o intuito de encontrar elementos que pudessem descredibilizá-la.

A decisão também destaca um pedido de Vorcaro para que Miranda elaborasse um dossiê sobre Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, e sua esposa. Em mensagens trocadas, Vorcaro solicitava um levantamento sobre Maluhy, afirmando que ele estava "causando muito problema".

Ao autorizar a operação, o ministro Mendonça enfatizou que a narrativa apresentada pela PF se baseia em evidências concretas, como mensagens de dispositivos eletrônicos e outros documentos. A apreensão inclui não apenas documentos físicos e eletrônicos, mas também dinheiro, bens de luxo e outros itens que possam estar relacionados aos crimes em investigação.

Os investigadores esperam que a análise do material apreendido contribua para entender melhor a atuação do grupo, identificar outros possíveis colaboradores de Vorcaro e Miranda e esclarecer a estrutura utilizada para realizar levantamentos contra pessoas que representavam obstáculos aos interesses do Banco Master.