A Polícia Federal (PF) deflagrou a 2ª fase da operação Disclosure em 25 de junho, que investiga indícios de uma possível atuação coordenada do Itaú e do Santander para omitir operações financeiras da Americanas durante auditorias. A decisão que autorizou mandados de busca e apreensão foi divulgada pelo Uol nesta quinta-feira (9.jul.2026).

A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, fundamentou sua decisão em mensagens trocadas entre executivos dos bancos e o ex-diretor financeiro das Americanas, Fabio Abrate. Segundo a magistrada, há evidências de que o consentimento de uma instituição poderia ser crucial para que a outra seguisse o mesmo procedimento solicitado pela varejista.

Omissão de operações financeiras

De acordo com a investigação, os bancos emitiram cartas de circularização sem mencionar operações de risco contratadas pela Americanas. Essas operações envolvem a antecipação de pagamentos a fornecedores, o que gera uma dívida da empresa com o banco. O Ministério Público Federal (MPF) argumenta que essa omissão possibilitou esconder parte do endividamento da companhia tanto da auditoria externa quanto do mercado.

Na decisão, a juíza reproduz mensagens em que a Americanas solicita a um executivo do Itaú a modificação das informações nas cartas enviadas aos auditores. Em outra conversa, é mencionado que o Santander só faria a alteração se o Itaú também o fizesse. Os diálogos sugerem uma possível colaboração entre as instituições para atender aos pedidos da antiga gestão da varejista.

Posicionamento dos bancos

Em nota ao Uol, o Itaú informou que sofreu perdas bilionárias em decorrência da fraude e que comprovou à Justiça a regularidade das ações de seus funcionários. O banco também negou ter atendido aos pedidos da antiga gestão das Americanas para modificar as cartas de circularização. Por sua vez, o Santander afirmou que também foi vítima das fraudes e ressaltou que a realização de operações bancárias com a empresa não implica sua participação nas irregularidades em investigação.

O Poder360 tentou contato com a PF, o MPF, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, a Americanas, o Itaú e o Santander para obter detalhes sobre as decisões, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado assim que novas informações forem disponibilizadas.