Os preços do cacau estão apresentando uma diminuição após um período de alta recorde, mas isso não deve resultar em chocolates mais baratos em um futuro próximo. As principais indústrias de chocolate do mundo estão se voltando para produtos inspirados nas redes sociais e outras estratégias para reconquistar os consumidores.

Nos últimos dois anos, os preços do cacau atingiram níveis recordes, impulsionados por condições climáticas adversas e colheitas ruins, o que elevou os custos do chocolate e afetou a confiança do consumidor. Contudo, atualmente, os preços do cacau mostram uma tendência de queda.

Os contratos futuros de cacau estão cotados a US$ 5.327 por tonelada métrica, uma redução de 34% em relação ao ano passado. Em 2024, os preços chegaram a quase US$ 12.000 por tonelada. Historicamente, os preços do cacau variaram entre US$ 2.000 e US$ 3.000 nas últimas duas décadas.

Desempenho das principais empresas de chocolate

Fabricantes de chocolate como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé destacaram que os altos preços do cacau impactaram negativamente seus lucros. A Lindt, por exemplo, anunciou que o aumento médio de preços de 11,8% resultou em uma queda de 7,5% nas vendas de chocolate no primeiro semestre do ano. O CEO do grupo, Adalbert Lechner, mencionou em uma teleconferência que os preços recordes do cacau exigiram aumentos sem precedentes em toda a indústria e que a incerteza geopolítica, a inflação e a fraca confiança do consumidor influenciaram a demanda.

A Barry Callebaut, maior fornecedora de chocolate e cacau do mundo, reportou que os consumidores globais estão comprando 4,4% menos chocolate no terceiro trimestre em comparação ao ano anterior, mas as vendas totais da empresa cresceram 5,7% no mesmo período, marcando um crescimento positivo pela primeira vez em mais de dois anos. As vendas globais de cacau da empresa aumentaram 18% devido a uma correção de mercado no início do ano.

Desafios climáticos e inovações no setor

A volatilidade dos preços do cacau está relacionada, em grande parte, às colheitas ruins na África Ocidental, agravadas por padrões climáticos associados ao fenômeno El Niño e às mudanças climáticas. O El Niño, que provoca temperaturas mais altas a cada dois a sete anos no Oceano Pacífico, teve um impacto significativo nas colheitas de cacau na Costa do Marfim e em Gana, que produzem entre 60% e 70% dos grãos de cacau do mundo.

Além disso, a Nestlé relatou que os preços mais altos do cacau e do café afetaram seu lucro operacional no primeiro semestre, com uma queda de 2,8%. A empresa espera que a redução nos preços do cacau beneficie suas margens no futuro.

Frente a esse cenário, as empresas estão inovando para recuperar o mercado. A Lindt lançou uma barra de chocolate inspirada em Dubai, aproveitando uma tendência viral nas redes sociais. O CEO da Lindt afirmou que a empresa planeja expandir sua presença nas mídias sociais para atrair novos consumidores, especialmente os mais jovens. A Nestlé também anunciou investimentos em marketing de influenciadores para se alinhar com as preferências das novas gerações.