O senador Flávio Bolsonaro (PL) manifestou forte descontentamento após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a suspensão das visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar. A proibição, que se estende até as eleições de outubro de 2026, foi considerada por Flávio como uma decisão "ilegal, desproporcional, covarde e cruel".

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio descreveu a situação do pai como a de alguém "enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra", e afirmou que a decisão de Moraes reflete um medo de que Jair Bolsonaro retorne à Presidência do Brasil. "O medo de que Bolsonaro, ou um Bolsonaro, volte à Presidência do Brasil, tirou completamente a sua condição de ser juiz", disse o pré-candidato.

Decisão de Moraes e suas implicações

Na sexta-feira (17), Moraes decidiu manter a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e proibiu visitas com caráter "político-eleitoral" até a data das eleições. Além disso, o ministro suspendeu as visitas gerais ao ex-presidente por um período de 30 dias, exceto para sua equipe médica e advogados.

Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e filho do ex-presidente, também se manifestou contra a decisão de Moraes, lembrando que a Constituição brasileira proíbe deixar um preso incomunicável. Ele destacou que essa restrição ocorre mesmo em situações graves, como o estado de defesa, que visa proteger instituições democráticas.

Críticas de Flávio e o contexto eleitoral

Flávio Bolsonaro, que já havia sido impedido de visitar o pai após a divulgação de uma carta escrita por Jair e lida por ele em uma live, acusou Moraes de agir de forma a satisfazer interesses pessoais e não de justiça. O senador afirmou que a decisão do ministro interfere diretamente nas eleições de 2026, reiterando que Moraes já havia desequilibrado as eleições de 2022.

Ele também cobrou uma posição do presidente do STF, Edson Fachin, e argumentou que Jair Bolsonaro teve seus direitos políticos cassados por seus adversários. Flávio expressou sua esperança de que essa situação sirva para abrir os olhos da população sobre o que considera uma "falsa democracia".

A decisão de Moraes foi fundamentada na natureza da carta lida por Flávio, que, segundo o ministro, demonstrava uma intenção político-eleitoral clara, já que foi escrita e assinada por Jair Bolsonaro e destinada ao público em geral. Moraes também proibiu a divulgação de manifestos políticos por meio de terceiros, citando a perda dos direitos políticos do ex-presidente devido a condenações relacionadas a um processo de tentativa de golpe.